Desafios na contratação de pessoas com deficiência

Apesar de ser lei a necessidade de incluir pessoas com deficiência nas empresas (existe uma cota que especifica a quantidade obrigatória de funcionários deficientes de acordo com o tamanho da companhia),  esse assunto ainda é um tabu em processos seletivos. No blog de hoje vamos abordar duas dificuldades que envolvem a contratação de pessoas com deficiência. Antes disso, é importante ressaltar que já é comprovado em pesquisas os benefícios produtivos de ter um corpo de funcionários plural. A presença de pessoas com deficiência nas empresas, principalmente deficientes intelectuais, aprimora as habilidades de lideranças de pessoas em cargos de líder e melhora o clima da empresa. 

Lei de Cotas (art. 93 da Lei nº 8.213/91) – Dados: Movimento Down

I – de 100 a 200 empregados ……………… 2%

II – de 201 a 500 …………………………………….. 3%

III – de 501 a 1.000 …………………………………. 4%

IV – de 1.001 em diante ……………………….. 5%

Barreiras físicas

Pensando em deficientes físicos e sensoriais, a maior parte dos locais de trabalho não tem estrutura para os receber. A ausência de rampas, informações em braile, piso tátil e portas com a largura necessária para passar uma cadeira de rodas são alguns dos elementos que dificultam a contratação de pessoas com deficiência, e mais importante que isso, a sua integração na companhia. 

Para ilustrar esse ponto, confira o antes e o depois da reforma de um escritório da Danone

Barreiras curriculares

Uma outra questão que envolve a contratação de pessoas com deficiência é a formação educacional. Fazendo um recorte para os deficientes intelectuais, jovens com DI que possuem ensino médio completo são minoria e no ensino superior são mais raros ainda. Cada pessoa com Síndrome de Down que consegue se formar na faculdade vira notícia, pois são poucas as pessoas que chegam até esse ponto. A transição do ensino fundamental para o médio em si já é um grande desafio. Uma pesquisa da Universidade Federal de Brasília aponta que entre as principais dificuldades desse processo estão um ensino médio muito voltado para o vestibular e a falta de cursos práticos para professores sobre como ajudar alunos com DI. 

Uma das maneiras de incentivar a formação de professores que entendem sobre DI é justamente aumentando a demanda. Ou seja, ao matricular e manter o seu filho na escola, você está incentivando com que professores se mobilizem e escolas se organizem para ensinar sobre deficiência. Segundo o Censo Escolar de 2018 “O número de matrículas de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e/ou altas habilidades/superdotação em classes comuns (incluídos) ou em classes especiais exclusivas chegou a 1,2 milhão em 2018, um aumento de 33,2% em relação a 2014.  Esse aumento foi influenciado pelas matrículas de ensino médio que dobraram durante o período. Considerando apenas os alunos de 4 a 17 anos da educação especial, verifica-se que o percentual de matrículas de alunos incluídos em classe comum também vem aumentando gradativamente, passando de 87,1% em 2014 para 92,1% em 2018.”

Apesar dessas dificuldades, a presença de pessoas com deficiência em companhias é muito positiva. A contratação de uma pessoa com Síndrome de Down, por exemplo, é bom para ela, pois a ensina sobre independência e autonomia, e para os seus colegas de trabalho, que aprendem sobre respeito, paciência e empatia. 

Para fechar, queríamos que vocês conhecessem o case de sucesso da contratação de pessoas com deficiência do CitiBank: 

“Em 2007, o Citibank Brasil criou o projeto SOMAR, uma das ações de diversidade mais bem-sucedidas do setor bancário do País. O objetivo do projeto é integrar pessoas com deficiência intelectual em cargos administrativos e de atendimento ao cliente em suas agências. No final de 2013, havia 43 pessoas participando do programa que já abrangia 100% de suas agências da Grande São Paulo. O SOMAR, desenhado internamente com o apoio de instituições especializadas, tem 96% de índice de retenção dos participantes e é usado como referência para iniciativas similares do banco em outros países.” (esse case está disponível no pdf da McKinsey & Company sobre “O valor que os colaboradores com síndrome de Down podem agregar às organizações”, publicado em março de 2014). 

Foto de capa: Free To Use Sounds via Unsplash

Quer receber mais conteúdos como esse gratuitamente?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Font Resize