Consequências do tempo que as crianças ficam no celular e no computador

Diante do momento que estamos vivendo por causa da quarentena, refaz-se a necessidade de refletirmos sobre o tempo que as crianças ficam no celular e no computador. Esse blog é uma conversa sobre o Manual de Orientação do Grupo de Trabalho Saúde na Era Digital (2019-2021) da Sociedade Brasileira de Pediatria. O documento citado traz orientações sobre o uso de telas por bebês, crianças e adolescentes. 

Quais são as consequências para os bebês?

“O desenvolvimento precoce da linguagem e das habilidades de comunicação são fundamentais para o desenvolvimento das habilidades cognitivas e sociais. O atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem é frequente em bebês que ficam passivamente expostos às telas, por períodos prolongados. O estabelecimento das rotinas do dia/vigília e da noite/sono também é fundamental para a produção dos hormônios necessários ao crescimento harmonioso, corporal e mental” (Manual da SBP). Além disso, com menos de dois anos, o bebê depende da interação social para desenvolver habilidades cognitivas (habilidades motoras, de linguagem e socioemocionais). Por isso, a tela não é um substituto do tempo que uma criança de colo passa com os seus familiares. 

Consequências do tempo que as crianças ficam no celular e no computador por atividade realizada

Uso excessivo de jogos

A dependência dos jogos, violentos ou não violentos, é a ansiedade e a depressão, uma vez que a criança pode desenvolver o vício pelas recompensas alcançadas no game. Além disso, títulos com muito sangue, tiros e outros formatos de confronto podem desenvolver a perda de empatia e a crescente irritabilidade e agressividade. 

Redes Sociais

O esquema das redes sociais, ou seja, a gratificação por meio de likes ou comentários envolvem mecanismos de recompensa na cabeça da pessoa. Com isso, muitos comportamentos se tornam impulsivos e automáticos, em busca de aliviar o tédio, ou de ganhar reconhecimento online. Como por exemplo, um menor de idade expõe o seu corpo e posta uma foto de biquíni só para ganhar likes. As redes sociais e os games podem servir também como fuga, evitando que o jovem tenha que lidar com sentimentos perturbadores ou emoções difíceis. Isso é ruim pois é fundamental que a criança se abra quanto ao que ela sente e aprenda a lidar com o que ela passa. 

Luz Azul

O brilho das telas, devido à faixa de onda de luz azul presente na maioria dos aparelhos contribui para o bloqueio da melatonina, que é um hormônio que é liberado na ausência de luz e produz no ser humano a vontade de dormir. A melatonina é importante para combater os radicais livres que agridem o organismo, além de reparar as células, como as que lidam com o estresse e a poluição. Os aparelhos digitais que emitem luz azul reduzem a qualidade do sono, diminuindo a fase de sono profundo. O que pode causar pesadelos e terrores noturnos. Além disso, a exposição a essa luz provoca sonolência diurna e problemas de memória e concentração durante o aprendizado. Ela também está associada a transtornos do déficit de atenção e hiperatividade, de acordo com o manual de orientação da sociedade brasileira de pediatria.

Fones de Ouvido

Já os fones de ouvido podem causar estresse. Em volumes acima do tolerável, eles podem também contribuir para a perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR)20.

Principais Problemas Médicos e Alertas de Saúde de Crianças e Adolescentes, segundo o Manual da Sociedade Brasileira de Pediatria

•Dependência Digital e Uso Problemático das Mídias Interativas;

•Problemas de saúde mental: irritabilidade, ansiedade e depressão;

• 3 tipos de transtorno:
1) Déficit de atenção e hiperatividade;
2) Sono;
3) Alimentação: sobrepeso/obesidade e anorexia/bulimia;

•Sedentarismo e falta da prática de exercícios;

•Bullying & cyberbullying;

•Transtornos da imagem corporal e da autoestima;

•Riscos da sexualidade, nudez, sexting, sextorsão, abuso sexual, estupro virtual;

•Comportamentos autolesivos, indução e riscos de suicídio;

•Aumento da violência, abusos e fatalidades;

•Problemas visuais, miopia e síndrome visual do computador;

•Problemas auditivos e PAIR, perda auditiva induzida pelo ruído;

•Transtornos posturais e músculo-esqueléticos;

•Uso de nicotina, vaping, bebidas alcoólicas, maconha, anabolizantes e outras drogas.

Recomendações do Manual da Sociedade Brasileira de Pediatria, em relação ao tempo que as crianças ficam no celular e no computador

•Evitar a exposição de crianças menores de 2 anos às telas;

•Crianças com idades entre 2 e 5 anos, limitar o tempo de telas ao máximo de 1 hora/dia, sempre com supervisão de pais/cuidadores/ responsáveis;

•Crianças com idades entre 6 e 10 anos, limitar o tempo de telas ao máximo de 1-2 horas/dia, sempre com supervisão de pais/responsáveis;

•Adolescentes com idades entre 11 e 18 anos, limitar o tempo de telas e jogos de videogames a 2-3 horas/dia, e nunca deixar “virar a noite” jogando;

•Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar 1-2 horas antes de dormir;

• Oferecer alternativas para atividades esportivas, exercícios ao ar livre ou em contato direto com a natureza, sempre com supervisão responsável.

Não é para assustar, essas são as recomendações médicas baseadas em estudos e a gente segue dá melhor forma que conseguir. O importante é termos noção do que as crianças estão perdendo ao passar tanto tempo conectadas. Ninguém vai deixar de usar o celular, mas é importante incentivar o uso consciente e produtivo. Existem vários jogos e aplicativos de educação seguros. Outra iniciativa legal é o Youtube Kids. Então, diante das consequências, vale refletir sobre qual é a melhor maneira de ensinar as crianças a usarem a internet. 

Imagem de capa: Hal Gatewood via Unsplash

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